Solução:
Impermeabilização / Revestimento de Reservatório
de Vinhaça para Impedir Contaminação Ambiental Utilização da Vinhaça na Bio
Fertirrigação da Cultura de Cana de Açúcar
Cliente:
Odebrecht Agroindustrial
“Unidade Eldorado” – Usina Eldorado S/A
Obra:
ETH Bioenergia S/A
Revestimento de Reservatório para Tratamento de Vinhaça para Irrigação – “Fertirrigação”
Local:
Cidade de Rio Brilhante / MS
Fazenda São Pedro
(150km de Campo Grande)
Produto utilizado:
Georoma 2,0 mm (Geomembrana em PEAD)
RomaDrain 2GT (Geocomposto drenante)
Data:
Fevereiro de 2015
Quantidade: Geomembrana = 27.095 m² – Geocomposto – 5.550 m²

Necessidade da Obra

A Odebrecht Agroindustrial foi fundada em 2007, pela Organização Odebrecht, sua controladora. Produz e comercializa etanol e açúcar VHP e cogera energia elétrica a partir da biomassa. A ETH Bioenergia assume uma nova marca e passa a se chamar Odebrecht Agroindustrial. Fundada em 2007 pela Organização Odebrecht, a empresa segue no desafio de ser a empresa líder em bioenergia do país e, na safra 2013/2014, investirá mais de R$ 1 bilhão em suas operações — sendo 90% deste investimento destinado à expansão de sua área agrícola. A mudança confirma o compromisso da Organização Odebrecht com o setor de bioenergia.

A ETH Bioenergia pretende estar entre as maiores do seu setor até 2015, investindo em alta tecnologia, capacitando pessoas e desenvolvendo ações de proteção ambiental. Será uma das três maiores empresas do setor sucroalcooleiro do mundo até 2015. A ETH Bioenergia já nasceu com grandes objetivos, baseada em um plano estratégico que alinha as práticas mais avançadas de sustentabilidade. A empresa, controlada pela Organização Odebrecht, tem participação acionária de 33% da japonesa Sojitz Corporation – trading multinacional que atua na comercialização de commodities. Criada em meados de 2007, a ETH atuará de forma integrada na produção, logística e comercialização de açúcar, etanol e energia elétrica.



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Fonte : http://www.odebrechtonline.com.br


Em menos de um ano de atuação, a empresa já fincou raízes nos três estados. Em março, adquiriu a Usina Eldorado, instalada no município de Rio Brilhante (MS), a 150 km de Campo Grande. A usina entrou em operação em junho de 2006 e receberá investimentos para ampliação de sua capacidade de produção. Passará dos atuais 2,2 milhões para 5 milhões de toneladas de cana processada por safra, o que viabilizará uma produção de 150 mil ton de açúcar, 360 milhões de litros de etanol e um salto dos 12 MW de co-geração de energia de hoje para 130 MW. Somando esses números aos que serão gerados pelas outras duas usinas a serem construidas nos municípios de Nova Alvorada do Sul (Santa Luiza I e Santa Luiza II), o Mato Grosso do Sul terá 200 mil ha plantados para um processamento de 15 milhões de ton de cana por safra.

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Fonte : http://www.revistafatorbrasil.com.br/

Processo Construtivo

A Odebrecht Agroindustrial produz energia renovável e limpa. Fornece ao mercado interno e externo dois tipos de etanol combustível (álcool anidro e álcool hidratado), energia elétrica e açúcar VHP. Na próxima safra, a Odebrecht Agroindustrial prevê moer 30 milhões de toneladas de cana, 32% a mais que o volume processado na safra 2012/2013, o que a permitirá produzir 2 bilhões de litros de etanol, cogerar 2 mil Gwh de energia elétrica e fabricar mais de 700 mil toneladas de açúcar.

Com esses grandes volumes de moagem de cana, são gerados também grandes volumes de vinhaça, a qual atualmente é tratada e neutralizada quimicamente e volta para a lavoura através do processo de “fertirrigação” como adubo orgânico para o novo plantio. Assim que essa vinhaça é gerada no processo produtivo, esse subproduto por ser altamente poluente ao meio ambiente, é conduzido para um reservatório impermeabilizado por uma Geomembrana de PEAD com 2,0 mm de espessura e com sistema de drenagem de gases utilizando-se um Geocomposto Drenante – ROMADRAIN 2GT que é instalado sob a Geomembrana, em forma de “espinha de peixe” e, as extremidades do mesmo, subindo até o topo do talude, onde posteriormente é ancorado nas valas de ancoragem com a Geomembrana. Durante essa instalação é aberta uma janela na Geomembrana para o escape de gases gerados no solo e para evitar a entrada de água de chuva é instalado uma cobertura (chapéu chinês) sobre essa janela.

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Foto ilustrativa demonstrando a aplicação do Geocomposto Dreante – Roma Drain 2GT para drenagem de gases e a instalação da Geomembrana de PEAD – Geo Roma 2,00 mm sobre o Geocomposto.

A fertirrigação é uma técnica de adubação que utiliza a água de irrigação para levar nutrientes ao solo cultivado. Esta aplicação é feita através do sistema de irrigação mais conveniente à cultura, podendo-se utilizar técnicas como micro-irrigação (por gotejamento ou por micro-aspersão), aspersão (sob pivô central ou convencional), entre outras menos utilizadas. Pode-se aplicar fertilizantes comerciais diluídos em água de irrigação ou certos resíduos orgânicos líquidos, como a vinhaça e efluentes oriundos de alguns tipos de indústria alimentícia. A utilização de efluentes de qualquer natureza é passível de exigência tanto de licenças ambientais quanto de monitoramento ambiental periódico da área. O uso da fertirrigação pelo produtor, em grande parte dos casos, proporciona economia de fertilizantes e de mão-de-obra.

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Fonte : http://www.unicana.com.br – Foto ilustrativa

O vinhaça também é conhecida pelos nomes vinhoto, tiborna ou restilo. Ele representa o resíduo pastoso e malcheiroso que sobra após a destilação fracionada do caldo de cana-de- açúcar (garapa) fermentado, para a obtenção do etanol (álcool etílico). Para cada litro de álcool produzido, 12 litros de vinhaça são deixados como resíduo.

Há usinas que já aplicam vinhaça em 70% da sua área de cultivo, e há outras com valores bem menores (NETO, 2005). De maneira geral, a cada safra, a área com uso de fertirrigação das usinas aumenta na busca do uso racional da vinhaça, visando maior produtividade agrícola e redução no uso de fertilizantes químicos. Isto tem levado a doses cada vez menores (m3/ha), distanciando-se de valores que poderiam trazer danos (salinização e contaminação do lençol freático).

O uso controlado do vinhoto e da torta de filtro é reconhecidamente uma boa prática na cultura da cana do ponto de vista ambiental e produtivo, pois permite a total reciclagem dos resíduos industriais (vinhoto, torta de filtro e água de lavagem – de limpeza do chão, de purga do circuito fechado e condensados remanescentes), aumento da fertilidade do solo, redução da captação de água para irrigação, redução do uso de fertilizantes químicos e custos decorrentes.

No início do Proálcool, são reconhecidos os impactos causados pelo vinhoto na contaminação das águas e solos quando se descartava diretamente nos cursos de água e de forma descontrolada sobre os solos. Combinando legislação, que reconheceu os problemas ambientais do uso do vinhoto, e maior percepção dos usineiros quanto aos benefícios do uso controlado do vinhoto e da torta de filtro, a fertirrigação controlada passou a fazer parte cada vez maior das práticas agrícolas. Mesmo assim, a fiscalização e o controle sobre a fertirrigação são medidas essenciais para garantir a sustentabilidade ambiental.

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Fonte : http://blog.ruralpecuaria.com.br – Foto ilustrativa

Respeitando-se as características dos solos onde é aplicada, a localização das nascentes d’água e os volumes, a vinhaça não provoca efeitos negativos (De SOUZA, 2005). Resultados nos testes até hoje indicam que não há impactos danosos ao solo com doses inferiores a 300 m3/ha. Acima deste valor, pode haver danos ao solo ou, em casos específicos (solos arenosos ou rasos), contaminação das águas subterrâneas.

O vinhoto, além de fornecer água e nutrientes, age como recuperador da fertilidade do solo, inclusive em profundidade. Introduz nutrientes em profundidade como o Ca++, Mg++ e K+, enriquecendo os solos. Há muitos experimentos que comprovam os resultados positivos obtidos na produtividade agrícola (t de cana/ha).

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Fonte : http://www.jornalcana.com.br – Foto ilustrativa

Resultados

Com mais de 15 mil empregos diretos, a Odebrecht Agroindustrial tem nove Unidades em operação nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, totalizando capacidade para moer 40 milhões de toneladas de cana e produzir 3 bilhões de litros de etanol. Todas as Unidades são certificadas com o selo de “Empresa Compromissada” por cumprir todas as práticas empresariais estabelecidas no Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar. Para se manter crescendo de forma sustentável, a empresa tem também como meta conquistar importantes certificações internacionais, colocando-se na condição de exportadora de etanol. Em 2012, a empresa certificou três de suas nove Unidades com o selo Bonsucro e sete Unidades com o selo RSF2.

Na maior parte das vezes, a fertirrigação tem a finalidade de tão somente adubar o solo de uma maneira mais eficiente, barata e com um grau de precisão maior do que outros métodos de adubação, através da diluição de fertilizantes comerciais (N, P, K) em água de irrigação. Porém, há no Brasil experiências muito bem sucedidas utilizando-se resíduos industriais em culturas específicas. O que faz da fertirrigação, além de um método de adubação mais racional, uma técnica que permite a reabsorção dos nutrientes não aproveitados nos processos industriais, reduzindo muitas vezes a problemática do tratamento e disposição adequada dos efluentes. Por esse motivo, a fertirrigação pode ser aceita como técnica de tratamento de efluentes orgânicos por infiltração no solo. Tal técnica, desde que bem aplicada e acompanhada de profissionais qualificados, não traz malefícios ao meio ambiente, pelo contrário, estimula uma melhor ciclagem do nitrogênio, fósforo e potássio. O vinhoto é caracterizado como efluente de destilarias com alto poder poluente e alto valor fertilizante. O seu uso na fertirrigação deve ser controlado para evitar impactos ambientais negativos no solo, nascentes e lençóis freáticos.

O poder poluente do vinhoto, cerca de cem vezes maior que o do esgoto doméstico, decorre da sua riqueza em matéria orgânica, baixo pH, elevada corrosividade e altos índices de demanda bioquímica de oxigênio –DBO (20.000 a 35.000 mg/l), além de elevada temperatura na saída dos destiladores (de 85 a 90 °C); é considerado altamente nocivo à fauna, flora, microfauna e microflora das águas doces, além de afugentar a fauna marinha que vem à costa brasileira para procriação (Da SILVA et al., 2007).

Dos efluentes líquidos da indústria sucroalcooleira, o vinhoto é o que possui maior carga poluidora. A quantidade despejada pelas destilarias pode variar de 10 a 18 l de vinhoto por litro de etanol produzido, dependendo das condições tecnológicas da destilaria, e sua composição é bastante variável, dependendo principalmente da composição do mosto.

Um dos impactos negativos mais relevantes refere-se ao efeito do ânion sulfato no solo. A presença de sulfato em destilarias de etanol de cana-de-açúcar é resultante do emprego de ácido sulfúrico na fermentação. Para o caso de uma destilaria autônoma, utilizam-se aproximadamente 5 kg de ácido sulfúrico (98% de concentração) por m3 de etanol produzido, valor que sinaliza que dosagens comparativamente elevadas de sulfato estão sendo aplicadas no solo.

A lixiviação dos elementos representaria desperdício de adubo e poderia levar a riscos de poluição. No caso da vinhaça os elementos pesados existem, mas em teores muito baixos, e não representam perigo para o meio ambiente. A salinização também pode ser um outro problema para os solos fertirrigados.

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Fonte : http://www.odebrechtonline.com.br

De acordo com De Souza (2005), usos inferiores a 400 m3/ha não trazem problemas de salinização ao mencionar estudos feitos em três tipos de solos (aluvial, 51% de argila; podzólico vermelho amarelo, 38% de argila; e hidromórfico, 5,5% de argila). Adicionalmente, há concordância entre alguns pesquisadores que doses acima de 400 m3/ha são prejudiciais à cana (redução da qualidade e produtividade).

Recentemente, em São Paulo, a Secretaria do Meio Ambiente e o setor produtivo desenvolveram uma Norma Técnica com o objetivo de regulamentar a aplicação do vinhoto no estado de São Paulo. De acordo com De Souza (2005), “Esta norma técnica busca uma forma segura de aplicação da vinhaça (ou vinhoto), definindo os locais permitidos, as doses, o revestimento de canais mestres e depósitos etc., e considerou os resultados de anos de estudos na busca de processos seguros em relação aos vários aspectos da proteção ambiental. A utilização de forma eficiente da vinhaça é de grande interesse dos produtores, pelo seu retorno econômico; deve-se esperar que as tecnologias continuem a evoluir neste sentido, envolvendo a interação da vinhaça com a palha residual deixada no campo”.

Rev.: 00
Data 02/04/2015